quarta-feira, 23 de setembro de 2009
sábado, 19 de setembro de 2009
Duríade
Taciturno na calçada, conspiro o firmamento.
A alva que me purga as veias, a mente, os sentidos, já não é a mesma que me viu condensar a neblina nas mui antigas madrugadas de Solstício.
Anseio o eco do granito, o passo certo, carismático, inabalável em espírito e melódico
Inexorável, transparece a nostalgia, o profundo abandono, à muito abismada em águas de jasmim, tão serenas como ela. Sei-lhe de cor as perfeições da face, o sorriso paradoxal, que suga a dor de alma como o Diabo a rouba.
Ò musa da Meia-Noite, concede-me mais um vislumbre… um sorriso… uma valsa… um beijo… que me custa ter o fruto na mão, e vê-lo amargurar pela calçada fora.
Pelas muralhas um ressoo. Foge-me um batimento, o ar frio dos pulmões crepita na chama da lanterna.
Tudo o que sonho.
Talvez mais.
Só tu.
Divina
Gundisalvum Jacob, "Nervura Urbana"
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Obrigado
Sobressais uma parte de mim que me orgulha.
(Estranhamente, parece que te conseguiste tornar numa parte daquilo que sou. Na pessoa que sou... só te tenho a agradecer por isso)
(04-08-2009)
terça-feira, 28 de julho de 2009

domingo, 26 de julho de 2009
White Fang

A floresta de abetos negros engelhava-se em ambas as margens do curso de água gelado. As árvores tinham sido despojadas do manto branco de gelo por um vento recente, e pareciam inclinar-se umas sobre as outras, negras e ameaçadoras à luz que se extinguia. Um silêncio reinava sobre a terra. A própria terra era desolação, sem vida, sem movimento, tão solitária e fria que o seu sentimento nem sequer era tristeza. Nela existia um vestígio de riso mais terrível do que qualquer tristeza - um sorriso mortiço como o sorriso da Esfinge, um riso frio como gelo e semelhante à intransigência da certeza. Era a soberania prepotente e incomunicável da eternidade a rir-se da futilidade e esforço da vida. Era o Selvagem, o bravio, o Norte Selvagem de coração gelado.
Jack London , "White Fang"
segunda-feira, 20 de julho de 2009
sábado, 27 de junho de 2009
Nómadas do Outro

sexta-feira, 26 de junho de 2009
Sabes o que é esquecer?Claro que sabes, não era essa a minha pergunta... Referia-me à complexidade do acto em si,à frieza intrínseca no processo.
O esquecimento mundano substituido por uma oxidação dos pensamentos, memórias pela gravinha do tempo.
Sempre me disseram que tinha boa memória.Infelizmente esqueci-me quem o disse primeiro. Fui diagnosticado com memória fotográfica. Uma aptidão para realçar o pó nas esculturas e os números nas paginas.
E isso mesmo despoletou este fio de pensamento.
O facto importante é que me esqueço.
Não o esquecer banal, da inércia mental dos recantos. É mais um coamento encefálico, uma permeabilidade cognitiva que prospecta as cinzas, colhendo os pedaços mais carbonizados e incrustados de espinhos.
Aí a própria matéria sangra, cinzalhante.
Contrariando a daguerreotipia da minha mente, algo consome-me o Rasto. Certas cicatrizes podem custar a ser ganhas, talvez até merecidas, mas no final, lá se encontra estre prospector, étereamente vigilante e imperceptível ,
subrepticiamente sublimando retalhos.
Mas nada é eterno. A matéria mantem-se. As cinzas voltam sempre à chama. A ferrugem volta sempre ao metal. o pó volta sempre ao todo. A ferida é para ser tocada, remexida, reaberta, vezes sem conta até se ter aprendido a exilá-la.
Dou graças a este processo. Se o empirismo racional não nos ensina, decerto caberá à mente impôr a vergastada na espinha da Humanidade.
A imunologia da memória, quem diria.
Se olhares com atençao, verás o mesmo.


